quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Me acordou pra ser inteira

Me tirou do conforto de viver o que era normal. Me puxou pra ponta do fino pêlo do Coelho . Sim, o mesmo que sai da cartola do grande mágico! Me fez perguntas e como uma boa socrática, partiu sem me deixar respostas. Eu sempre quis ser como Sócrates e ser aquele pernilongo que picava os outros para mantê-los espertos, mas dessa vez fui a estúpida da praça de Atenas. Fiquei sem respostas e só me restou o medo. [De repente tenho medo de todo esse medo ser apenas o medo de saber o que já sei e por medo, não não tenho coragem de fazer ]. Com medo e sem respostas! E agora , Rebecca? ["Sem teogonia, sem parede nua pra se encostar. Sem cavalo preto que fuja a galope. Você marcha, José! José para onde?"] Não dá para não pensar que o "se" magico que criei pra essa personagem não vai acontecer. Toda a memória emotiva, subtextos, ações físicas e até objetivo das ações já estavam previamente calculados. Mas de que adianta se estou presa aqui dentro? Me veio como uma abelha, das grandes e ferozes, me ferrou [ferrou nesmo, nao ferroou] e fiquei sentindo dor. E agora eu já nem sei quem sou, "mudei tantas vezes desde hoje, como vê". Não fosse a convicção de que o que está em mim (bem lá dentro), é maior que o mundo, eu estaria agora desconfortável, vulnerável, com medo, sem personagem, ferroada e perdida! E eis que finalmente percebo algo bom: como numa roda viva em que o mundo roda num instante nas rodas do meu coração, pariu o meu verdadeiro conhecimento. Afinal, "o conhecimento que vem do interior é a verdadeira inteligência". Me fez inteligente e me impulsionou a viver os meus sonhos, o que fui criada pra ser. Mesmo sem saber como ser aquilo que sou, posso sentir que algo novo acontecerá quando me levantar e O seguir. Mas até lá tudo pode mudar, me acomodar e voltar a esta rotina de medo e criação de uma personagem. Para ser metade.